Selected Poems of
Maria Teresa Horta

Translated by:

M.B. McLatchey and Edite Cunhã

Forthcoming in Inventory, 2020

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FROM LIBERTY TO LIBERTY

FROM LIBERTY TO LIBERTY

 Beauty by beauty   
 poetry is made, stone by stone of light, image after image,
in search of a rebellious language, to crush the loneliness and surrender.
Barb, thorn, and wood, but also jubilation and rejoicing. Nothing
impossible to our imagination, in poems restless and brilliant
where the panther runs
 along verses and dreams.

 Disobedience by disobedience        
 poetry is made. Wing and winged flight, until it becomes a rose
of greater scintillation, to name creativity, the foundation of
writing, in search of suicide comets and constellations in the
work of the poem.
 Sirius and Cassiopeia. Oh, our language constructed with the
rigors of unique words,
 uprising and insurrection.

 Enchantment by enchantment
 poetry is made. Navigation of verses to bring down frontiers
rejecting blind obedience, and prohibitions, at times of
darkenings and deceptions.  
 To refuse principles of imposed acceptance and ruins, from which  
the dictators watch us, the wolves of cruelty, the censors and the  
concealed inquisitors,
 of the Apocalypse.

 Rebellion by rebellion         
 poetry is made. Fighting darkness and dagger of   
insidiousness, tricks, handcuffs. With song, with odes and
hymns of rebellious verse, armed with our poet’s
words, sunset and sunrise.
 Fiery flight and contempt.

 Body by body
 poetry is made, in its unfathomable work of syllables and
images, metaphors and rhymes, tumultuous and untiring heart,
to fight the dark voices at the head of the bed.  Grain and
grape of clarity to save us, because poetry redeems but does
not appease.
 Because poetry saves, but does not tranquilize.

 Dream by dream
 poetry is made, from utopia to utopia, equality to
equality, by laying the poem on the table, on the bedsheet, on the knee,
on the stubborn skin of the wrist. Our biggest weapon
 of liberty by and large.  

DE LIBERDADE EM LIBERDADE

 Beleza a beleza
 constrói-se a poesia, pedra a pedra de luz, imagem a imagem,
na busca da linguagem indócil, a quebrar a solidão e a entrega.
Farpa, espinho e lenho, mas também júbilo e regozijo. Nada é
impossível ao nosso imaginário, em poemas inquietos e fulgentes
por onde a pantera corre
 ao longo de versos e sonhos.

 Desobediência a desobediência
 constrói-se a poesia. Asa e voo voado, até se tornar rosa de
cintilação maior, a nomearmos a criatividade, a fundação das
escritas, em busca dos cometas suicidas e das constelações, no
labor do poema.
 Sirius e Cassiopeia. Oh, a nossa língua construída com os
rigores das palavras únicas,
 sublevadas e insurrectas.

 Deslumbramento a deslumbramento
 constrói-se a poesia. Navegação de versos a derrubar frontei-
ras, negando-se às obediências cegas e às interdições, aos tempos
de assombramentos e obscurantismos.
 A recusar princípios de aceite imposto e ruínas, de onde nos
espreitam os ditadores, os lobos da crueldade, os censores e os
inquisidores embuçados,
 do Apocalipse.

 Insubmissão a insubmissão
 constrói-se a poesia. A combater a escuridade e o punhal da
insídia, as mordaças, as algemas. Com o canto, com as odes e
os hinos de versos revoltosos, armados com as nossas palavras
de poeta, poente e alva.
Voo ardente e desacato.

 Corpo a corpo
 constrói-se a poesia, no seu insondável trabalho de sílabas e
imagens, metáforas e rimas, coração tumultuado e incansável,
a combater as vozes obscuras, à cabeceira da lonjura. Grão e
bago de claridade de nos salvar, porque a poesia redime mas
não apazigua.
 Porque a poesia salva, mas não aquieta.

 Sonho a sonho
 constrói-se a poesia, de utopia em utopia, de igualdade em
igualdade, a deitar-se o poema na mesa, no lençol, no joelho,
na pele ensimesmada do pulso. Nossa arma maior
 de liberdade em liberdade.




Poem celebrating World Poetry Day 2013,
done by the Directorate of the SPA.
and set out on 21 March of that year in the
Belém Cultural Center
by initiative of the then president.
Vasco Graça Moura
.



Copyright © 2019  M. B. McLatchey &

Edite Cunha, with permission. All rights reserved.
Forthcoming in Inventory, Princeton University, 2020




Poema comemorativo do Dia Mundial da Poesia de 2013,
feito a coiwitc da Direcção da SPA.
e exposto em 21 de Março desse ano no
Centro Cultural de Belém
por iniciativa do então presidente.
Vasco Graça Moura



Copyright © 2017  Maria Teresa Horta, 

from her collection Poesis.
Dom Quixote Publisher, Lisbon.